Quando procurar um fonoaudiólogo infantil?
Fala pouco, troca sons, não é compreendido fora de casa. O que observar e quando avaliar.

"Ele entende tudo, só não fala." É uma das frases mais ouvidas em consultório e ela contém, sem querer, uma distinção importante.
Fala e linguagem são coisas diferentes
Linguagem é o sistema: compreender o que se diz, organizar ideias, escolher palavras, montar frases. Existe antes da fala e independe dela.
Fala é a produção: os movimentos coordenados de língua, lábios, mandíbula e respiração que transformam intenção em som.
Uma criança pode compreender bem e ter dificuldade para produzir. Pode falar muito e compreender pouco. Pode ter dificuldade nas duas coisas. Cada combinação aponta para caminhos diferentes e é por isso que a avaliação existe.
O que costuma justificar avaliação
- Ausência de balbucio no primeiro ano
- Não responder ao próprio nome
- Não apontar para pedir ou para mostrar algo
- Vocabulário muito reduzido para a idade
- Não combinar palavras quando isso já seria esperado
- Fala pouco compreensível para quem não convive com a criança
- Trocas de sons que persistem além do período esperado
- Dificuldade em compreender instruções simples
- Perda de palavras que a criança já usava
Esse último item, como em qualquer área do desenvolvimento, é o que sempre justifica avaliação imediata.
O apontar merece um parágrafo próprio
Antes de falar, a criança se comunica. Ela aponta, puxa a mão do adulto, olha para o objeto e depois para você, faz gestos. Essa comunicação pré-verbal é o alicerce da linguagem.
Uma criança que ainda não fala mas se comunica ativamente por outros meios está em situação bastante diferente de uma que não fala e também não busca comunicação. A segunda merece avaliação com mais urgência.
"Vamos esperar mais um pouco"
É um conselho comum e nem sempre errado. Parte das crianças que fala mais tarde alcança as demais sem intervenção alguma.
O problema é que não há como saber, apenas esperando, em qual grupo uma criança específica está. Uma avaliação fonoaudiológica responde a isso e responde rápido. Se estiver tudo bem, você sai com orientações e tranquilidade. Se não estiver, você começou cedo.
O que fazer em casa, em qualquer cenário
- Falar bastante com a criança, narrando o que está acontecendo
- Esperar a resposta, mesmo que ela demore
- Não antecipar tudo o que a criança quer antes que ela tente pedir
- Ler junto, todos os dias, mesmo antes de ela falar
- Reduzir tempo de tela nos primeiros anos: linguagem se aprende na interação, não na exposição passiva